Entrevista: Michelle Bachelet à rádio ONU

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Entrevista: Michelle Bachelet à rádio ONU

Chefe da nova entidade ONU-Mulheres fala à Rádio ONU sobre as prioridades do posto; ex-presidente do Chile deve tomar posse em janeiro de 2011.


Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.*
Nova York -(15/09/2010)

A ONU nomeou a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, para chefiar uma nova entidade da organização: o ONU-Mulheres. O órgão é uma fusão de quatro agências e fundos especializados em gênero incluindo o Unifem.

Reconhecimento

Michelle Bachelet conversou com a Rádio ONU sobre o novo cargo e disse que pretende utilizar sua experiência à frente do Chile na agenda de desenvolvimento dos direitos da mulher.

Para ela, a nomeação é também um reconhecimento do trabalho do Chile na área.

Michelle Bachelet disse que na presidência chilena, ela atuou muito na defesa do direitoigualde e das conquitas para as mulheres. Para a nova chefe do ONU-Mulheres o cargo traz oportunidades, mas também um grande desafio.

Poucas Oportunidades

 da Ela lembrou que apesar de ser uma questão de direitos humanos, em muitas partes do mundo, os direitos das mulheres estão sendo violados. E disse que muitas mulheres não estão condições de igualdade e tem poucas oportunidades.

Ao ser perguntada sobre a fusão de quatro agências de gênero na entidade ONU-Mulheres, Michelle Bachelet respondeu que o novo órgão já nasce com grande força.

Para a ex-presidente chilena, o primeiro ponto é um sinal claro da vontade política de que a situação das mulheres no mundo tem que melhorar. Ela disse ainda que uma nova estrutura geral dá uma ideia clara da relevância do tema mulher. Para ela, a fusão é um bom início do trabalho de levar adiante melhores condições para meninas e mulheres em todo o mundo.

Neutros

A nova chefe do ONU-Mulheres também deu sua opinião sobre o maior obstáculo para as mulheres na América Latina.

Michelle Bachelet disse que a região tem obstáculos diferentes. E mencionou um encontro em Brasília sobre o tema. Mas segundo ela, para que as latino-americanas tenham mais oportunidades, os países não poderão ficar neutros na discussão. Mas sim, se comprometer com todos os setores da sociedade e da área privada no avanço do tema.

A ex-presidente do Chile disse que as mulheres também precisam de independência financeira.

Garantia de Direitos

Para Michelle Bachelet, um dos problemas da América Latina é que as mulheres não tem autonomia econômica suficiente para defender os seus direitos. Ela afirmou que isso é um fator importante na agenda do desenvolvimento.

A ex-presidente disse que é necessário permitir que as mulheres tenham condições de realizar suas capacidades, sua liderança e terem sua própria identidade feminina com mais autonomia cultural e econômica para a garantia de seus direitos.

Michelle Bachelet deverá tomar posse no novo posto em 1º de janeiro.

* Com reportagem de Rocío Franco.